sábado, 2 de julho de 2016

A divisão da reforma em 1951. Duas organizações distintas.

Eis uma breve explicação do que sucedeu na Assembléia Geral em 1951, na Holanda, segundo os documentos que expediram e de que temos cópias.

O Movimento de Reforma viveu até 1951 num ambiente de discórdia e desarmonia. Quem já leu o “Livro do Pecado” (reformista) sabe muito bem como a história da Reforma até aquele ano foi uma história marcada por lutas e dissidências.

Nesse ano, A SUA ASSEMBLÉIA GERAL PARTIU-SE, RESULTANDO NA EXISTÊNCIA DE DOIS MOVIMENTOS DISTINTOS, cada qual com a sua própria Conferência Geral e cada qual pretendendo ser a verdadeira continuação do movimento de 1914, e com os mesmos princípios de fé de 1925. Foram 11 delegados contra 14.

No início da Assembléia da Conferência Geral da Reforma em 1951, ao dizer o presidente do período findo que "A Conferência estava diante de uma grande limpeza", o secretário, que logo comandaria uma conspiração, respondeu: "Se devem limpar, então devem fazer isto de cima para baixo." - (Livro do Pecado, pág. 49).

No dia 20 de maio, (décimo-quinto dia da Assembléia), domingo, sendo negada a leitura de uma declaração, Demétrio Nicolici, que era secretário da Conferência Geral e André Lavric, que era presidente da obra no Brasil (ambos romenos), e mais 9 delegados , insatisfeitos com a direção da Obra, e alegando haver corrupção na Conferência Geral, saíram da Assembléia, ignoraram-na como oficial, e reuniram-se em outro local como legítima continuação da Assembléia. (Disseram depois que saíram em sinal de protesto, contra irregularidades, etc..) No mesmo dia, às 14,30 h realizaram uma (a primeira) reunião de negócios, dando todas as providências, inclusive econômicas, para assumirem a liderança da Obra, embora, em delegados presentes, constituíssem a minoria. (Ver Protocolo de 1951) Eram 11 delegados, contra 14 que permaneceram na Assembléia oficialmente convocada, continuando os trabalhos tumultuados. Desejavam, sem dúvida, os que se separaram, que os 14 outros delegados da Assembléia se lhes submetessem, o que, não aconteceu.

Os onze delegados, repetimos, pretenderam estar dando continuação à Assembléia em andamento.

Sendo Demétrio Nicolici, principal líder do grupo, secretário do Movimento, e, detendo todos os documentos da Reforma, possibilitou ao grupo dissidente, ficar com os registros oficiais (disputados primeiramente na justiça) e ficar com grande parte do patrimônio da Reforma em diversos países, inclusive Brasil. Com isto, retiveram para a sua facção o nome "Movimento de Reforma", e, por isso, a facção dos 14 que permaneceram na assembléia vieram a adotar, posteriormente, um dos nomes originais: Sociedade Missionária Internacional, para efeito de registro oficial (pessoa jurídica), mas, conservando na prática o mesmo nome de "Movimento de Reforma". (O autor esteve na sede dos dois movimentos em São Paulo e testemunhou que a Reforma "SMI." tem também em seu templo o nome "Movimento de Reforma".)

Vamos, nesta obra, para efeito de identificação, designar a facção dos 11 pelo nome de Reforma 1951, ou Movimento 1951, e, à facção dos 14, chamaremos pelo seu nome oficial: Sociedade Missionária Internacional, ou Reforma SMI ou simplesmente SMI.

Durante não sabemos quanto tempo, ambos os grupos reivindicavam em separado ser a legítima continuação do Movimento de 1914. Depois de baixada a poeira de 1951, dirigentes de ambos os grupos, nas tentativas de reunificação têm considerado como "o povo de Deus" as duas facções. Se assim é, ambos são mesmo continuação da Reforma de 1914.

(Segundo os relatórios que apresentam, a Reforma-1951 ficou com bem maior número de membros do que a SMI, porque os seus líderes tinham maior rebanho. A divisão parece que sofreu resultado mais político do que espiritual.. Cremos que se Carlos Kozel, primeiro presidente da SMI, fosse o líder dos reformistas brasileiros, estes teriam ficado como membros dessa facção.)

A Reforma-1951 pretendeu ser a verdadeira continuação do movimento, porque, "sendo difícil os irmãos de detrás da extinta Cortina de Ferro irem à Holanda para a assembléia", enviaram 26 procurações de "delegados por procuração," ao secretário D. Nicolici, contrariando orientação que havia sido expedida pela presidência e vice-presidência, quando, um ano antes, tomaram conhecimento de que Nicolici ia usar desse expediente.

Explica a Reforma-1951:

"Esses 26 votos haviam sido enviados ao irmão Nicolici como Secretário da Conferência Geral. Ele não os apresentou no começo da conferência [!!!] porque o irmão Kozel [presidente], antes da conferência, havia expedido uma circular, dizendo que não os admitia. Não fosse este caso, e esses votos seriam apresentados aos delegados presentes para estudarem sua distribuição. E de certo seriam distribuídas entre todos. [Essas procurações eram então ao portador?!] O irmão Nicolici não haveria de retê-los para si, como falsamente, agora, o acusam. ... Todos esses 26 votos ficaram conosco [!!!] e foram usados, do lado da justiça, para completar o número legal. E, assim, a conferência pôde ser realizada com autoridade legal." [!!!] - Diminuíra o Número (Livreto Reformista 1951), pág. 22 – (destaques acrescentados).

O planejamento da representação por procuração

Demétrio Nicolici, secretário da Conferência Geral, expediu em 27 de outubro de 1950, em nome da Conferência Geral, um boletim, informando que os delegados que não pudessem comparecer à Assembléia Geral podiam se fazer representar por procuração. Não tardaram os protestos:

Carlos Kozel, presidente no período que terminava, escreveu uma carta a todos os membros da Comissão da Conferência Geral em 3/11/1950, referindo-se ao sistema que Nicolici queria usar. Escreveu:

"[Esse sistema] nunca pode ser e nunca foi executado em toda a história da Igreja... . Este pensamento é completamente ilegal e sem fundamento e contradiz a todas as leis de votação em todo o mundo. Quem vota tem que estar absolutamente presente, de maneira pessoal, para dar seu critério durante as deliberações e discussões. Somente deste modo poderá operar o Espírito de Deus no coração e na mente daquele eleitor para que se manifeste a voz de Deus." 

Em 21/11/50, Kozel enviou nova mensagem a todos os membros da Comissão da Conferência Geral contra a circular de Nicolici.

Em 12/12/50, Alberto Müller, vice-presidente enviou também um protesto a Nicolici e C. Kozel, dizendo que a questão ficara clara em 1948, citando ponto 2, Boletim n. 5 da Conferência Geral que legislava sobre o assunto.

W. Korpmann, membro da Comissão da Conferência Geral, enviou também à Conferência Geral, em 17/12/50 o seu protesto.

De Speele, Alemanha, veio ainda um longo pronunciamento de protesto, assinado por K.K., datado de 3/1/1951 à Comissão da Conferência Geral e a D. Nicolici, alertando que o sistema de representação por procuração, (a que eles estavam chamando de transferência de votos) abria a porta ao abuso e por essa razão ele fora contra à sugestão feita na assembléia de 1948 e acrescentou que, naquela ocasião, Nicolici e Lavrik assumiram a mesma posição. Disse também o presidente que se os irmãos dos Estados orientais (atrás da Cortina de Ferro) não podiam enviar delegados, poderiam apresentar as suas petições e propostas por escrito à Conferência Geral. Disse ainda: "Parece-me tão absurdo que devo denominar esta posição de Nicolici de muito estranha. Qual é o seu objetivo com isto ?” No protesto incluiu o fato de tal circular não ter sido submetida à Comissão da Conferência Geral.

Estas informações que colhemos de documentos avulsos da Reforma SMI terminam com a seguinte nota:

"Até aqui, os sérios protestos dos irmãos responsáveis pela manutenção dos verdadeiros Princípios do Movimento de Reforma. Nunca foi admitido o delegado-papel na Igreja de Deus. Ter uma conferência de papelada, ter um pedaço de papel como delegado, é coisa ridícula perante a Igreja e perante o mundo."

D. Nicolici, como vimos, passou por cima da orientação superior e levou as procurações de 26 delegados, mas não as apresentou senão ao grupo que se separou.

Os estatutos e a cláusula sobre representação por procuração

No livreto “Diminuíra o Número” da Reforma-1951, Lê-se:

"A delegação de l948 encarregara a Comissão Executiva de elaborar os estatutos. ... A Comissão executiva, por sua vez, encarregara três dos seus membros de fazer este trabalho. Elaborados e registrada a Conferência Geral, foi feita para cada membro da Comissão Executiva, uma cópia dos estatutos. Todos os membros da Comissão Executiva reconheceram, por escrito , a sede da Conferência Geral, registrada em base dos referidos estatutos, o que significa que reconheceram também os próprios estatutos [? !]. E a questão estava resolvida. Estes estatutos, antes de serem assinados pelo irmão Kozel [presidente], na presença do advogado Sr. S.W.Green, lhe foram TRADUZIDOS pela irmã Lotte Wassenmiller em alemão e pelo advogado, em espanhol. Se ele agora diz que não conhecia seu conteúdo, não diz a verdade". [?]

Acusações da Reforma 1951 contra a Reforma SMI

Do Livreto "Diminuíra o Número":

"Rebelaram-se e apostataram" (pág. 3). "Espalharam calúnias e falsas acusações" (pág. 4). "É grupo fruto de apostasia" (pág.4). "É como um dos muitos grupos dissidentes que surgiram na história da Igreja Cristã" (pág. 4). “Os adúlteros não mais estão no Movimento de Reforma. São membros de honra na nova seita formada, como fruto da apostasia por D, K, M, e R. [Substituímos os nomes por suas iniciais]" (pág.11). "Com eles permaneceram 14 [delegados] ao todo, dos quais no máximo 10 eram legais ou admissíveis" (pág.21). O livreto “Diminuíra o Número” (Reforma-1951) tem forte cheiro de exageros.

Do livreto "Em defesa da Verdade" (também Reforma-1951):

"Os irmãos N-L e seus delegados...combateram a corrupção, condenaram as irregularidades administrativas (pág. 15). "[Os da SMI, são] cavilosos e separatistas" (pág. 65). "[Empregam como armas:] "mentiras e falsidades" (pág. 68). [Inventaram] calúnias gratuitas, de mentiras infamantes." (pág. 71). "Foram eles que fizeram a separação" (pág. 42). "Nunca tivemos propósitos separatistas" (pág.49). "Depois de 7-5-52, quando os irmãos K-M-R [da SMI] já tinham formado uma segunda Reforma..." (pág.50). "Mencionais nossas referências a vós como Acãs, agentes de Satanás, filhos das trevas ..." (págs. 97,98). Os dirigentes de Speele [SMI} só teriam direito à existência com um movimento separado se pudessem provar que esta igreja da qual eles se afastaram, está apostatada ... (pág. 38). (Destaques acrescentados).

Acusações da reforma SMI contra a Reforma-1951

Do livreto: El Terrible Engaño - Las Tres Grandes Rebeliones: de Lucifer, Core e Nicolici. 
Editado por La Verdade Presente, Lima, Peru:

(Nota: Em cada tópico, o livreto estabelece paralelos entre as rebeliões de Lucifer e de Coré e a "rebelião" de Nicolici e seus companheiros.)

"Lucifer desejava ser semelhante a Deus e ocupar o lugar que só a Cristo correspondia...e tratava de conseguí-lo por meio de sua rebelião contra a autoridade de Deus. Nicolici e seus companheiros, ao firmarem uma declaração pública negando e rechaçando a autoridade dos dirigentes da Igreja de Deus, e ao mesmo tempo insistindo em que o povo os reconhecesse ... como novos dirigentes, manifestaram em uma forma tão clara e terminante que seu único afam e sua luta eram para ocupar a Direção Geral do povo de Deus (pág. 6).

"Todas as acusações que Coré lançou contra Moisés eram mentiras e as acusações do último Movimento rebelde também carecem de verdade." - (pág.13). "...pois, não só se rebelou, senão que, ao mesmo tempo, se rebelou abertamente contra a Conferência Geral de 1948, ao anular uma resolução que foi tomada naquele tempo pela autoridade de 28 delegados presentes contra uma recente rebelião de Nicolici. Esta resolução foi anulada pelos 11 delegados em rebelião" (pág.15).

"Os rebeldes torcem a verdade e difundem mentiras para enganar e seduzir as almas" (pág. 12) . "Os rebeldes, ao serem chamados pela autoridade superior nos primeiros momentos de sua rebelião, rechaçam o chamado (pág.13). "Os rebeldes, em vez de aparecerem para responder, apontam a verdadeira autoridade como uma rebelião" (pág. 15) [As três acusações deste parágrafo são títulos de tópicos.]

"D. Nicolici e seus companheiros, depois de haverem abandonado a reunião da Conferência Geral na Holanda em 20 de maio de 1951, mais ou menos às 11 da manhã, fizeram planos em seguida para apoderar-se primeiramente dos bens do Movimento de Reforma em todo o mundo (pág. 18,19). [Não o conseguiram na Alemanha e na Áustria. pág. 19.]

"Os rebeldes, antes da rebelião já abrigavam este espírito" (pág. 21).

"A proposta de reconciliação de parte da rebelião consiste em igualdade de direitos entre o povo de Deus e eles; uma reorganização depondo de antemão ambos os dirigentes seus cargos e uma dissolução de ambas as direções. Isto é o maior absurdo que pode ter cabido na mente de um cristão consciente de seus atos (pág.23).

"Os rebeldes cometem um pecado contra o Espírito Santo se não se arrependemsinceramente" (pág.26).

Qual é o grupo separatista ?

Diz a Reforma-1951:

"A única ramificação do Movimento de Reforma que ainda existe é a Sociedade Missionária Internacional..., separada da organização dos Adventistas do Sétimo Dia - Movimento de Reforma." ("Respostas às Objeções dos A.S. D." , pág. 130).

Sem discutir qual das duas reformas é ramificação da outra, achamos curioso a Reforma-1951 chamar à Reforma SMI de "ramificação" quando esta é que tem o nome que aparece no Protocolo de Friedensau (1920); [
Páginas 10 e 33 - espanhol] no registro em Cartório em 1919; na Revista "Wächter der Wahrheit" de 1919 e nos Estatutos elaborados em 1928. (Temos cópia dos originais dos três primeiros documentos e cópia simples – datilografada, mas completa, dos Estatutos.) Qual dos dois movimentos é então a ramificação?

(Alegam na mesma página 130 de "Respostas...", que princípios da verdade e a Lei de Deus estavam envolvidos e alguns que foram rejeitados pela grande maioria da corporação devido à sua infidelidade, continuam a obra sob sua própria responsabilidade!)

Quando os delegados que vieram a constituir a Reforma-1951 se retiraram e formaram outra assembléia, os dirigentes da Assembléia oficial mudaram o local de reuniões para um lugar "a 30 kms" distante, naturalmente por alguma conveniência. A Reforma-1951, aponta a mudança de local da Assembléia que ficou sendo da SMI, como sinal ou prova de separação ! Finalmente, o que caracteriza a assembléia, é o local de reuniões, ou a presença das pessoas credenciadas como delegados? Ver Doc.8 – Circular da SMI.

Julgue o leitor ou leitora, se quiser, qual a facção separatista.

Encontraram profecias para a separação

"Começaram, por outro lado [a Reforma-1951] a publicar artigos em seus periódicos e lições da Escola Sabatina, concatenando um colosso de profecias bíblicas e dos Testemunhos, e demonstrando que a 'crise' por que a Reforma passara, em 1951, fora uma 'sacudidura', em cumprimento de profecias, como a seguinte:

"'Deus está peneirando Seu povo. Ele terá uma igreja limpa e santa...' (Testimonies, vol. 1, pág. 99; citado no livreto 'A Grande Crise e a sua Solução', págs. 3 e 4; publicado [pela Reforma-1951] para uso exclusivo de obreiros e oficiais da igreja).

"Outra profecia da Sra. White, bastante citada como tendo também seu cumprimento na referida 'crise de 1951' , é a seguinte:

“'Diminuíra o número dos que faziam parte deste grupo’ [Vida e Ensinos, pág. 175.]”[
Revista Adventista, Abril 1984, p. 15.]

Fala uma testemunha do problema:

"Os grupos da Reforma combatem-se mutuamente, gastando tudo com este fim, verdadeiras fortunas. Seria o caso dos membros desses grupos reformistas exigirem prestação de contas, a fim de que os líderes venham a ter mais consciência e temor de Deus. Todos os esforços de reconciliação que pessoalmente fiz durante 20 anos, foram frustrados, apesar dos rogos, evidências bíblicas e dos Testemunhos. Lutei também contra o fato tão claro, que Deus mostra aos entendidos, que 'uma casa dividida entre si não pode subsistir' (S.Mateus 12: 25). Além disso tudo, nota-se no reformismo uma berrante falta de progresso." - Dr. E. Kanyo Benedek, ex -vice-presidente da Conferência Geral (Reforma-1951), que se tornou Adventista do Sétimo Dia, em RA 1/ 1974, pág.11.

Tentativas de unificação

Logo depois da separação, ainda em 1951, começaram os reformistas 1951, a tentar unificar os dois movimentos de reforma. Durante algum tempo, pensaram eles em terem em conjunto uma nova assembléia, porém, com o direito de delegação por procuração para as assembleias. (Ver "Em Defesa da Verdade" (Movimento"1951), págs. 45 e 88). Logicamente, a outra facção não poderia aceitar tal coisa. Sem dúvida, somente depois de desistirem desse sistema de representação, os reformistas SMI começaram a admitir uma assembléia para unificação.

Crise na Reforma-1951

Demétrio Nicolici (romeno), líder principal da formação da Reforma-1951, presidiu o movimento por 8 anos. Em 1959, sendo eleito André Lavrik., seu companheiro (também romeno), para substituí-lo, eles se desentenderam. De uma carta que André Lavrik escreveu e de que temos cópia, referindo-se ao plano de ter um encontro com a Reforma SMI, transcrevemos alguns trechos sem correção:

"Pode ser que esta seria uma oportunidade de convencer aqueles irmãos de Speele [SMI], para chegar a uma conclusão de realizar uma Conferência Geral de paz. Para então chamar Nicolici de responder ao que eles querem, e nós o permitiremos. Pois ele... rebel aberto, contra C.G. e tenta fazer outro movimento. Ele é... o mais culpado de todos no assunto de todas as rebeliões.... Ofendeu toda causa, todo movimento, e Deus tem conta com ele., nada temos que aceitar este homem na obra." (SIC) (Carta de André Lavrik, 20/5/66 a Dr. E.Kanyo Temos cópia autêntica do original).

Demétrio Nicolici, segundo outro documento que temos, desejava, ao tentar fundar outro movimento, tentar em seguida unir os três movimentos.

Tentativa de reunificação em 1967. A Reforma-1951 reconhece a SMI como parte do povo de Deus.

Em 1967, as duas reformas tiveram finalmente um encontro em S. Paulo com o propósito de unificação. Para isto, a Reforma-1951 preparou um documento (Doc.9) muito bonito, conclamando todo o seu ministério para promoverem a união com a SMI. Fizeram concessões e um esforço muito grande para a unificação. Pelo que se lê na Troca de Correspondência que tiveram (Ver no livro "A Grande Crise e a Sua Solução”, da Reforma-1951), até aceitariam que, de início, o presidente fosse o da SMI - S.Gutknecht, (apesar de tantos adjetivos negativos com que classificaram a SMI). Mas exigiam que o número de membros da direção provisória fosse igual: sete de cada lado. A SMI não aceitou esta exigência. Admitiam somente cinco da Reforma-1951 contra sete do seu grupo. Esta terá sido a causa, ou principal causa, do fracasso da tentativa de unificação.

D. Nicolici - líder da separação se arrepende

De um relatório da SMI, colhemos:

"Na reunião realizada na Igreja de Vila Matilde (São Paulo), no Sábado 16 de setembro de 1967, estando presentes os irmãos Ringelberg e Egerter da SMI e perante um grande número de membros e delegados da Conferência Geral do movimento rebelde, D. Nicolici disse: a) 'Eu sou o único culpado’ (da separação em 1951), às 17 h. e 8 m.. b). ‘Sofreremos as penalidades, mas alcançaremos a paz com Deus, se é necessário para a reconciliação’, às 17 h e 10 m.”. SIC

D. Nicolici já tinha assinado (pouco mais de um ano antes) uma confissão com carimbo da reforma-1951, com a seguinte redação:

"Eu apoio o apelo acima mencionado, e com o acréscimo da minha assinatura a este documento , virtualmente faço a minha contribuição por meio deste apelo, para que se estabeleça a paz. Lamento que houve tal separação, e, quanto a mim, estou triste pela posição que ocupei na crise de 1951, ao esforçar-me para estabelecer esta dificuldade. Hoje é evidente que os métodos empregados não a solucionaram, senão que a aumentaram; contudo, Deus permitiu isto assim, para que uma lição pudesse ser aprendida quanto a Seus métodos de resolver problemas. No que tenho ofendido ou ocasionado qualquer injúria a alguém, sinto muito. Especialmente, eu peço ao irmão C. Kozel que me perdoe por quaisquer ações que lhe tenham causado prejuízo ou mágoa. Estou disposto a perdoar a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, têm me apresentado erroneamente. Estou disposto a sujeitar-me a qualquer investigação, se isto é necessário e se for a resolução da maioria. Ass. D. Nicolici."

O que a proposta da Reforma-1951 incluía para unificação (em 1967)

Para unificação, propunham os da Reforma 1951 cessar toda hostilidade; consideravam o encontro como vindo de Deus, necessário para encontrar a "aproximada crise", apresentando uma frente unida; consideraram a divisão da reforma como injustificável, não sendo uma fiel representação da fé em Jesus; afirmaram que a investigação ulterior da dificuldade passada revelava que ambos os lados criam e aceitavam os ensinamentos originais e práticas do Movimento de Reforma conforme esboçados nos Princípios de Fé de 1925; incluíram que ficaria resolvido daí em diante considerar os dois movimentos como um povo e cada membro da Igreja um fiel membro de confiança de um só movimento, todos com o mesmo privilégio e reconhecidos como irmãos e irmãs em Cristo; retiravam todas e quaisquer acusações, cartas, circulares, boletins e qualquer outra coisa e/ou ato que tinha contribuído para a divisão; nenhuma discussão mais seria entretida, permitida ou apoiada por qualquer pessoa, ou grupo, ou comissão, ou conferência do movimento agora unido, em qualquer parte do mundo; todos os obreiros deveriam cessar imediatamente qualquer ato de agressão ou proselitismo, um contra o outro, e trabalharem juntos para a breve e imediata unificação moral e social. Quem isso violasse, seria desqualificado para trabalhar, fosse oficial ou líder da Igreja, em qualquer função; cada União, Associação, missão, igreja ou grupo e cada indivíduo seriam habilitados a, sem qualquer embaraço, exercerem seus direitos organizacionais "providos pela Bíblia, Testemunhos, Igreja, Princípios de fé e Regulamentos da Igreja adotados pelo Movimento". - (A Grande Crise e a Sua Solução, págs. 60,61 - Reforma-1951).

No livro A Grande Crise e a Sua Solução, escrevem os da Reforma-1951, depois da tentativa de unificação em 1967:

"O Céu nos garante igualdade de direitos...

"A Separação existente não é reconhecida por nenhum dos dois lados. Mutuamente, por assim dizer, nos negamos a conceder o 'divórcio' uns aos outros. Não admitimos a ruptura. Por isso somos obrigados a reconhecer-nos uns aos outros como irmãos com os mesmos direitos e deveres, à luz destes princípios.

"E agora vem o ponto decisivo: Ou os irmãos separados reconhecem que EM CONJUNTO, somos o povo do Movimento de Reforma ou não reconhecem tal coisa. Ou uma coisa ou outra.

"Se reconhecem que em conjunto somos o povo do Movimento de Reforma, então eles são obrigados a aceitar estes princípios divinos, como nós os aceitamos, porque, enquanto se recusam a aceitá-los juntamente conosco, cai sobre eles a inteira responsabilidade da separação. - págs. 53 e 55.

Nova tentativa de unificação em 1991 - a Reforma-1951 continua a reconhecer a SMI como "povo de Deus" também.


Em 1991, “houve outra tentativa de unificação. A Reforma-1951 fez uma carta circular assinada por seu secretário – Pastor A.C. Sás, conclamando os reformistas à unificação. (Doc. 20.) Citaremos aqui apenas alguns trechos:

"Os dirigentes do Movimento de Reforma de ambas as Conferências Gerais e os membros de ambos os lados vêem hoje mais do que nunca a urgente necessidade de uma verdadeira unidade. Desde que se iniciaram as conversações para UNIR O POVO DE DEUS....

Os irmãos de ambos os lados têm manifestado um sincero desejo de trabalhar em prol da unificação. Portanto, representantes de ambas as Conferências Gerais iniciaram as negociações oficiais dia 15 de abril de 1991....

"Hoje podemos dizer com alegria que o Senhor ouviu nossas petições e abençoou as negociações.... Agora temos a certeza de que se os irmãos de ambos os lados compreenderem a mensagem CRISTO JUSTIÇA NOSSA, a reunificação será uma realidade....

"... Já assinamos dois importantes acordos, que foram aprovados pelos conselhos de ambas as Conferências Gerais....

"A) Reconhecemos, baseados na Bíblia e nos Testemunhos, que o povo de Deus deve formar um corpo unido.... Lamentamos a separação que teve lugar em 1951 , visto que a mesma não foi segundo a vontade divina, mas foi um ataque do inimigo....

"B) Cremos que a unificação pode ser alcançada, já que temos como base os mesmos Princípios de Fé estabelecidos em 1925, que estão fundamentados na Palavra de Deus."

Uma mensagem para a Reforma-1951:

Quanto tempo e dinheiro perdidos para acusar a outra Reforma, chamando os seus membros de rebeldes, separatistas, apóstatas etc. etc. etc. ? Agora, mais de meio século de separação! Meio século sem se livrarem do "ataque do inimigo"!

Uma pergunta para ambas as Reformas:

Depois de passada praticamente a geração da época da separação, se todos os membros de cada movimento foram excluídos, uns pelos outros como separatistas apostatados; se o ministério de uma facção não reconhecia o ministério da outra facção e novos ministros foram ordenados com ordenação não reconhecida pela fação contrária, conseqüentemente os batismos não poderiam ser reconhecidos, como juntar tudo, sem rebatismo, unindo duas igrejas, fazendo delas uma só? E as ordenações? A situação é complexa!

Pare aqui um pouco, pondere, e reflita seriamente, prezado irmão, prezada irmã, sobre tudo o que você já leu até aqui. É essa Reforma, com dois movimentos, a verdadeira Igreja Adventista do Sétimo Dia ? Não é isso uma verdadeira confusão, e não reforma? Vale a pena repetir: não é isso uma verdadeira confusão e não reforma? você não se assombra com o que acaba de ler ? É esta a reforma pedida nos testemunhos?

A conclusão é esta: Nenhuma das duas reformas é portadora das credenciais divinas. Nenhum dos dois movimentos é a verdadeira Igreja Adventista do Sétimo Dia.

"Enquanto os grupos rivais de reformistas se digladiam entre si, numa 'casa dividida contra si mesma', a Igreja Adventista do Sétimo Dia realiza, no mundo, a obra prevista em Apocalipse 14:6-12" (RA 4/1984).


Fonte: Retirado do livro: Aos ASD da Reforma de 1914 de Antônio Ramos Dourado, páginas 85 a 90.


Neste blog temos alguns documentos citados no estudo, como a carta de Nicolici.






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